Primeira via a entrar em operação na capital, a linha 1-Azul, ligando as zonas sul e norte, completou 40 anos
Futuros compactos perto de linhas e estação também focam público familiar (Foto: Tiago Queiroz/Estadão)
GUSTAVO COLTRI
Mesmo antes dos primeiros efeitos práticos do novo Plano Diretor Estratégico (PDE), o mercado imobiliário paulistano migrou para as proximidades das linhas de metrô. Um levantamento da imobiliária Lopes sobre futuros lançamentos na cidade dá conta de que 66,2% dos projetos estarão a até um quilômetro de distância de estações ou trilhos – incluindo as linhas em obras e em projeto.
Todos novos os hotéis e 81% dos comerciais estão nesta situação, segundo o estudo, que levou em conta projetos protocolados na Prefeitura e informações repassadas por incorporadoras. Levando-se em conta só os empreendimentos residenciais, o porcentual é de 63%.
Em outubro do ano passado, a Lopes havia feito o mesmo tipo de pesquisa, chegando a conclusões porcentuais semelhantes. Desta vez, porém, houve aumento no número absoluto de edifícios: em 2013, 251 de 463 projetos estavam a até um quilômetro das linhas e estações metroviárias. Este ano, 404 de 610 estão nessa condição.
“Desde o ano passado, já vimos uma projeção grande de empreendimentos em torno das linhas de metrô, que estão crescendo. O cliente compra esse futuro”, diz a diretora geral de atendimento da Lopes em são Paulo, Mirella Parpinelle. Segundo o governo estadual, o Metrô tem hoje 103 quilômetros de linhas férreas com obras em execução ou contratadas.
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Os projetos compactos são os mais típicos nesse tipo de localidade, mas as novas ofertas não devem ficar restritas aos studios e apartamentos de um dormitório. De acordo com a diretora de marketing da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Paola Alambert, o mercado já supriu parte da demanda dos empreendimentos menores e agora passou a dar foco também para os edifícios de perfil familiar. “Eles estão crescendo em todas as regiões da cidade, inclusive no entorno das estações.”
A Trisul, por exemplo, prepara para o quarto trimestre um lançamento residencial na vizinhança da estação Pinheiros. O produto terá 50% das unidades com dois dormitórios e 55 m². A outra metade ficará distribuída entre studios de 25 m² e apartamentos de três dormitórios, com 76 m² e duas vagas de garagem. “O compacto de usuário final tem ganhado força. O poupador ainda está no mercado, mas os investidores não mais”, diz o gerente comercial da companhia, Luciano Marco.
A Trisul se reposicionou no mercado nos últimos anos e passou a dar prioridade para terrenos em regiões mais nobres. Marco acredita que bairros como Pinheiros, Vila Madalena, Pompeia e Perdizes têm bom potencial em função das linhas em extensão, como a linha 4-Amarela, ou previstas, como a Linha 6-Laranja. “Também temos interesse no centro, apesar da grande oferta já prevista para a área. E a região do metrô Conceição, na linha 1-Azul, tem sido bastante procurada.”
Outra empresa com interesse em terrenos nobres e perto dos meios de locomoção, a You, Inc acredita que lotes próximos dos grandes corredores corporativos e regiões acompanhando o crescimento da linha 5-lilás, na zona sul, podem ser interessantes, assim como bairros centrais, já bem servidos da infraestrutura metroviária, segundo a diretora de incorporação da empresa, Alessandra Calefo.
Até o início de outubro a empresa colocará no mercado o You, Brooklin, a 400 metros da futura estação Brooklin. Com 111 imóveis, o novo condomínio terá, além de studios de 36 m², unidades com dois dormitórios e 55 m², sendo um deles suíte.
You Brooklin ficará a 400 metros da estação Brooklin da linha 5-Lilás (Imagem: Divulgação)
Fora do que hoje é considerado eixo de mobilidade pelo novo PDE (mais informações abaixo), a incorporadora colocará no mercado o You, Prime Aclimação, levando uma proposta compacta a um bairro que se acostumou a metragens generosas. O prédio, que está a 700 metros do metrô Paraíso, terá apartamentos de dois e de três dormitórios, com metragens variando dos 59 m² aos 71 m².
A via metroviária que liga o Jabaquara ao Tucuruvi tem sido um vetor de projetos, especialmente na região da Vila Mariana e seu entorno. A incorporadora Tarjab, por exemplo, terá seis projetos em bairros como Saúde e Conceição, além da própria Vila Mariana, até o ano que vem – dois lançamentos estão previstos para este ano.
“O fato de o metrô ser um fator de mobilidade nos permite levar produtos compactos para quem tem o primeiro imóvel ou imóvel de transição”, diz o executivo Sérgio Ros, responsável pela área comercial da companhia. Segundo ele, as áreas mais consolidadas da cidade com relação à oferta de serviços devem ser priorizadas pelas incorporadoras. “Mas a área livre à disposição é pequena.
Tendência. Imóveis com menos de 70 m² devem ser os mais comuns no futuro, na opinião de empresários do setor. Além dos apartamentos pequenos, que são voltados a jovens, executivos e jovem casais sem filhos, as unidades de dois dormitórios também devem se destacar.
O diretor comercial do Grupo Esser, Fábio Sousa, diz que podem sofrer resistência os imóveis de três dormitórios em projetos que estiverem adaptados ao novo PDE – a legislação não incentiva a construção de mais de uma vaga de garagem por bem. “Hoje, o mercado não absorve produtos com uma vaga.”
Em novembro, a companhia vai lançar o Liberdade Startup, com unidades de um e dois dormitórios e metragens variando entre os 41 m² e os 57 m². Perto do metrô, estão previstos ainda projetos no centro, em Santo Amaro e na Vila
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Quando sentiremos os efeitos práticos do novo Plano Diretor Estratégico?
As regras do novo PDE só são aplicadas a projetos protocolados na Prefeitura após a legislação ter sido sancionada, em 31 de julho. A lei, entre outras questões, dá prioridade a unidades compactas e possibilita maior potencial construtivo para terrenos localizados a até 600 metros das estações e 300 metros das linhas e corredores. Muitos dos lançamentos até o fim do primeiro semestre do ano que vem, com projetos protocolados antes dessa data, ainda estão sob as regras do antigo plano.
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